dimanche 30 septembre 2007

Sexta-feira, I love you!

Hoje é sexta-feira (na verdade, estou postando o texto no domingo, mas a idéia do tema, assim como seu conteúdo, surgiram na sexta, quando o sentimento que narro à seguir tomou conta de mim. Uma "possessão" semanal, que tem hora e dia marcado para acontecer)!

Dizem que o melhor amigo do homem é o cão. Que ele se doa sem esperar nada em troca. Dedica-se em sua totalidade de sentimentos. Não há tempo ruim. Frio, calor, queda da bolsa, TPM, bala perdida, corrupção, final da novela das oito com revelação do assassino, nada, nada pode diminuir o afeto, o olhar com que o cão-parceiro entrega-se ao seu dono (destaco que, em alguns casos, o limite entre senhor e servo é muito tênue entre ambos).

Mas, vamos a minha comparação: é verdade que o cão é isto tudo sim, só que o cão tem começo, meio e fim. Um dia ele parte para o céu dos cães, um lugar mágico cheio de ossos suculentos, e aquele amor, as juras eternas de seu dono (enquanto durasse, bien sûr!), serão repassadas a outro, talvez de outra raça, cor, pedigrée.


Sexta-feira não. Ela é eterna. Ela teima em te perseguir. Você está triste? Ela vem! Você está feliz? Ela vem também. Ela te brinda com novos tempos. Não há sensação melhor que aquela das 18hs. Para muitos, a sensação do dever cumprido. Para outros, pendências com expectativas reabastecidas. Quem ainda não se pegou embriagado na visão de algo que pode acontecer naquele gap de 2 dias que estão chegando?
Problemas financeiros? Pode chegar uma herança.
Sentimentais? Pode aparecer o grande amor de sua vida na festa do sábado, ou, quem sabe, ela volte. Ou quem sabe, você volte.
Tem prova na segunda? Ah, um século de dias para estudar. Segunda-feira você saberá tudo. Vais tirar um 10 com certeza.
Regime? Coma de tudo. Segunda vem ai. Para quem já come a anos e anos, 2 dias a mais, que mal fará? Segunda você (re)começa.

Assim acontece comigo. Sexta à noite! Minha amiga que renova minhas esperanças. Minha droga. Meu vício.
Se sexta é a bebida, domingo à noite é a ressaca. Certeza que (quase) tudo que planejei não aconteceu. Não ocorreram surpresas, a loira escultural rica e totalmente apaixonada não apareceu, não estudei nada, não cumpriu-se o planejado. O cronograma tá atrasado. Objetivos inacessíveis. Falta de rigidez, de comprometimento com o método talvez.

Mas, não há problema. Por que haveria? Dentro de alguns dias, sabe quem estará voltando? Pois é...ela, a teimosa e replicante sexta-feira. A amiga fiel. A companheira sempre disposta a te dar uma nova chance, mesmo que você não queira.

Assim me sinto hoje, sexta-feira: feliz! Certeza que ocorrerão mil coisas em minha vida. Meu weekend terá 97 horas, certamente. Farei tudo o que planejei. No sábado irei a 3 festas, assistirei 2 filmes novos. Vou levar o carro para dar aquela geral prometida. Vou na lavanderia. Vou organizar meus documentos, lerei 3 livros e ainda me sobrará tempo para encontrar o amor de minha vida. Talvez até passe o final de semana na serra, claro, indo a praia todos os dias. Vai fazer um sol maravilhoso.

O nome deste sol é esperança, aquela mesma lá do fundo da caixa de Pandora.
O combustível que move nossos corações.

Boa sexta para ti, bom final de semana. Enjoy it!

mercredi 26 septembre 2007

2047

Madrugada, sozinho em meus pensamentos.
A certeza que estou vivendo a última noite de minha vida.
Cansaço da caminhada se misturando à sensação de alívio, tranquilidade. Leveza,
sorriso disfarçado (uma última censura).
Eu vivi! Criei um castelo à partir de meus sonhos. Estou em 26 de setembro de 2047. Lembro bem de 40 anos atrás, quando pensei em minha vida, de como seriam meus próximos 40 anos: Deus, família, profissão, hobbies. Foi em 2007. Mensurei a primeira metade de minha vida. Grandes realizações, grandes decepções. Minha vida estava legal. Derrotas, vitórias, obstáculos transponíveis, certamente com um pouco de suor e persistência.
Mas, e o prazer?
Parei para pensar o que faltava, para onde estava caminhando.
Ah, parapente! Voar de parapente! Decididamente, quero voar!
Viagens internacionais também. Não por trabalho, mas por férias (o prazer, lembra?)
Preciso de vacaciones, lua-de-mel em Paris.
Preciso de uma noiva para isto (olhar pensativo). Isto pode ser um problema, claro!
Outra coisa, preciso deixar de ser um chato exigente. Libriano com ascendente em virgem ninguém agüenta, nem o próprio.
Trabalho: a tecnologia escorre entre meus dedos. O que me motiva agora são as pessoas, menthoring, coaching, todos os ings ligados ao ser. A tecnologia deve ser o meio, não o fim. Melhor não escrever nada mais que possa ser usado contra mim em juizo, penso.
Ahh, mas volto ao parapente! Quem sabe até, para-quedas! Gosto de sair do chão. Estou boa parte do tempo no ar.
Hoje é minha última noite.
Saudades de 2007.
O ano em que voei.


mardi 25 septembre 2007

Impaciente...

Sabe quando a impaciência toma conta de nós?
Não é tédio como dito na canção: é impaciência mesmo. Alias, filosofando, acho que a impaciência é o tédio que resolveu ir à luta mas não sabe como nem para que lado marchar.
Um sem motivo que insiste em nos acompanhar, tal qual uma sombra perambulando ao nosso redor.
A impaciência é interna, muitas vezes sem causa aparente: nada de pessoas, nada de atitudes (in)esperadas, nada de nada. Somente um vazio que toma forma e nos empurra a esperar algo que não vem. Não existe. Nem sequer foi concebido em nossa imaginação. Nem um rascunhozinho. Um borrão. Nada. A impaciência é a busca pela solução de um problema que sequer foi escrito. É uma armadilha. Ela nos deixa chato. As pessoas te perguntam o que há e você não sabe descrever. Quer coisa mais irritante que esta? Você sai do compasso do grupo que te cerca. Hiberna em seus pensamentos, culpa os outros por não te compreender.
Hoje estou assim, impaciente.
Expectativa por algo que não tem foco.
Até qualquer hora....

lundi 24 septembre 2007

Tic-tac, perfumes e pensamentos soltos...

Atravessando a rua, tenho os sentidos ligados em tudo que gira ao meu redor:
as pessoas que vêm e vão, o barulho, os sons de buzina, cheiros que se misturam no ar, o perfume de uma moça que cruza rapidamente por mim olhando para o chão (o que estaria ela pensando naquele momento?), o vento frio da manhã que bate em meu rosto, o tic-tac do tempo em minha mente, tudo misturando-se ao que planejei fazer.
Tento passar rapidamente tudo o que farei (farei mesmo?).
Esbarro em um senhor carrancudo e apressado: esperança de desculpas que não virão. O mundo está assim mesmo, fazer o quê, penso comigo mesmo.
Li uma vêz que o maior inimigo do homem é o tempo, que ele tornou-se refêm do relógio: deu-se ao trabalho de repartir pedacinho a pedacinho o seu tempo. Um suicídio social coletivo que todos nós teimamos em cometer. Saltamos de cabeça neste precipício, dia após dia. Morremos e ressucitamos há cada manhã, não importa se chova ou faça sol.
Releio o que acabei de escrever. Engraçado, não parece ser um texto apropriado ao début de um blog. Parece mais escrito por uma mente perturbada por algo. Algumas pistas "lá atrás". Teria sido a moça que cruzou o caminho? Teria sido o tempo, as emoções, os sentidos? Não sei. Não sei. A única pista é que falo muito em tempo. Será que ele me incomoda tanto assim? Não sei, não sei.
O que há de mais fantástico em escrever indulgentemente é a certeza que o caminho que você trilha é completamente diferente daquele croqui montado em seu cérebro. Por mais que você planeje a caminhada, ela é sempre diferente, seu caminho é diferente e, pior (ou melhor): o destino idem.
Se eu der um ctrl+alt+del neste momento e tentar reescrever este texto, certamente ele será diferente. Certamente o barco vai me levar para outra ilha, outra praia. O vento nunca é o mesmo, nunca tem a mesma força e sentido, assim como você nunca entra duas vezes em um mesmo rio.
Assim é a vida, assim é você, assim sou eu. Invariavelmente imprevisíveis. É da natureza humana. Somos livres como o vento. Livres como o perfume daquela menina que deixou-se exalar.
Sempre que iniciamos uma conversa, um projeto, um caminho, nunca sabemos exatamente onde será o destino final. Em qual estação o trem de nossa vida ancora? Quem ancora é barco, sei, mas sou livre para compor meu texto. Talvez possa acusar como sendo um ato-falho, uma licença poética ou (mais abominável de todas as hipóteses), uma estratégia de marketing: "o cara usou o verbo errado de propósito!". Já pensou? Pode ser simplesmente uma vontade de fazer diferente nesta manhã. Tão diferente que procurei escrever meus sentimentos soltos em um blog e liberá-lo para o mundo exterior, ao invés de jogá-lo na lixeira do meu pensamento, esperando o dia da faxina.
Bem-vindo leitor. Pode entrar. A casa é nossa.