mercredi 26 décembre 2007

Ácido


Hoje sinto-me assim, como um predador indo a caça. Sinto cheiro de sangue no ar.
Todavia, ao contrário dos animais, vontade de matar por puro esporte (abrindo um parênteses: matar metaforicamente, heim?), sem ligação com sobrevivência física, orgânica, mas mental. Alimentar o espírito doente, magoado. Vontade de ferir. Impingir dor, diria como melhor definição.
De onde vêm estes sentimentos? Do lado mais escuro e esquecido de nosso ser. Assim como a vigança, a ira, a mágoa, a euforia, o amor, todos sentimentos básicos que carregamos em nosso DNA, desde o homem das cavernas. Um cão revida no ato, o homem, ah o homem, este é capaz de esperar anos por uma vingança. Está nos livros religiosos, na história. Não mudamos de lá para cá. Nada mais atual que as reações humanas narradas na bíblia. Cobrimo-nos com um suave e refinado tecido de evolução, mas, em momentos de pressão, nossos atos são os mesmos da época dos dinossauros. Acho que o stress foi criado naquela época. Aquilo sim, era matar um leão por dia, literalmente.
O cheiro de sangue no ar. Como explicar nossas reações? Também não consigo. Sei que há um processo de milhões de sinapses em nosso cérebro, memória, experiências registradas, subconsciente, etc. Dá até para tentar enrolar, intelectualmente. As aulas de neuro ajudam um pouquinho, mas, é só isso. O resto é autoconhecimento e controle (!). É um exercício diário, contar carneirinhos, respirar fundo e seguir em frente.
Muito blá-blá-blá se diz sobre os sentimentos, generosidade desmedida. Admiro estes. Espero que o discurso bata com a prática. Nunca vi um que fôsse coerente. Deve ser por isso que os juizes não podem julgar casos onde estejam envolvidos emocionalmente, médicos idem, psicólogos idem, policiais idem.
Nossa racionalidade termina do outro lado da rua, onde começa a calçada dos sentimentos inexplicáveis e passionais. Ontem, vi uma criança fazendo malcriação aos pais; “- Eu quero, agora, aquele, vermelho, grande!”. Assim me sinto!
Mas, quem ousaria atirar a primeira pedra em mim?

Ácido, hoje estou ácido, sinto cheiro de sangue no ar. Amanhã passa.
E voltarei a ver o mundo com lentes cor-de-rosa.

Sem palavras, cem palavras...

...não são capazes de resumir!



vendredi 21 décembre 2007

Fantasia

Natal chegando.

Quase que me sensibilizo com o clima de repentina confraternização girando como um redemoinho ao meu redor. Estou no olho do furação de pessoas em comunhão e, confesso, ainda não tenho convicção se estou sendo irônico ou sincero neste meu comentário.
Algo sei: ele motivou-me a voltar ao blog e escrever, desabafar sobre isto tudo.

Li algumas coisas hoje que me deixaram surpreso. Algumas até, que não ousarei dizer, me induziram a achar que eram para mim. Pretensão e água benta, diz o ditado. Não faz mal. Meu ego satisfaz-se com pouco.

Voltando ao merry xmas: hoje, internamente, não temos certeza de nada. Fato. O mundo gira. Fato. Nossas verdades absolutas de hoje podem ser as contradições de amanhã. Fato. Fico imaginando a lua, as estrelas, movimento dos planetas, tudo em sintonia, ano após ano ao longo dos milênios. Coisa chata. Certeza que tenho são as mudanças. Adoro doce de abóbora! Mas, nunca provei dois com o mesmo gosto. Como podem ser tão parecidos e tão imprevisíveis?

As pessoas, no Natal, são como doces (de abóbora, no meu caso): uma energia que não foi gasta durante todo o resto do ano, acumulada, e extravasada na véspera de Natal. Os votos, os desejos (alguns bons, outros nem tanto), tudo que deve ser cobiçado está lá, no brilho dos olhos de cada ator.
Tudo que deixamos para trás, tudo que não deveríamos ter deixado, tudo que não tivemos, tudo que deveríamos ter tido, todas as esperanças, tudo, tudo se mistura entre esperanças e anestesia do final do período. 2008 será diferente? Cuidado! Diferença tem seu preço. Zona de conforto é como o útero materno. Um dia tem de nascer. Arde ao respirar, só no início.

Resumindo tudo, gostaria de desejar aos 3 ou 4 leitores insistentes deste blog, um 2008 repleto de realizações, que suas fantasias se concretizem. Os sonhos são mais fáceis. Sonhos estão ligados à estabilidade financeira, saúde. Fantasia não! Fantasia tem glamour. Fantasia é o que nos trás aqui nesta vida. É a razão de nosso ser.
Que em 2008, você possa realizar sua fantasia mais desejada.
Vá em frente. Suba (ou desça) o primeiro degrau.

Obrigado por me ler. Feliz fantasia 2008.

samedi 27 octobre 2007

Shakira!


Que decepção, leitor.

Eu aqui, sábado manhã, sentado em frente ao micro escrevendo algo “inteligente” (este conceito é amplamente controverso e não cairei na armadilha de discuti-lo).

Tudo favorecia a tal da inspiração: se adoro às sextas, as manhãs de sábado são como um bônus para mim. O dia está lindo lá fora, sol, céu totalmente azul, posso ver o rio que passa aqui ao lado, as árvores estão coloridas e movem-se em uma coordenação suave. Devem também estar curtindo as chuvas da semana, finalmente. As pessoas caminham lá fora, seguem umas às outras como formigas enfileiradas, procurando perder as calorias da semana. Com as formigas funcionam. Nunca vi uma gordinha. Humanos!

Bom, mas vamos ao texto inteligente. Já havia montado em minha cabeça o tema, a introdução, o seu desenvolvimento, imaginava até a conclusão e como a ligaria ao seu início. Adoro àqueles filmes que começam pelo fim, brincam com o tempo, vão ao início da história e voltam. Acho que fica confuso no início mas, se bem feito, conectam o expectador à trama, permitindo que este vá validando-a de tempos em tempos através de uma análise crítica e lógica. É mais arriscado para o roteirista (e para os produtores, claro), mas o resultado pode ser compensador.

Assim seria minha proposta de hoje: falaria sobre violência e educação, sem maiores pretensões, somente meu ponto de vista. Participei de uma acalorada discussão esta semana sobre a questão da responsabilidade aos 16 anos.

Como disse, seguia eu de frente para o Word quando surge ao meu lado uma mulher de cabelo roxo. Pois é, roxo. Já há tinha visto retorcendo o ventre, correndo no deserto entre cavalos, sorrindo, falando com os seus olhos negros. Em shows, dançando com um candelabro sobre a cabeça, outras, equilibrando uma espada oriental (cimitarra?).

Pronto. Lá se foi a violência embora. A inspiração também, sendo esmagada por outra, como uma gordona que senta no teu colo (não sei por que, lembrei da Praça da Alegria, aquele quadro que vinha uma gordona e sentava no banco, sobre o livro de um baixinho. Decididamente, estou velho. Quem vai lembrar disto?)

Voltando para a segunda inspiração, purple-rain, lá estava ela, com gestos sexy, despojados (e, cuidadosamente, repetidas vezes coreografados. Mas, que e a quem importa isto?), las de la intuición ela diz. Certamente ela a tem, e muita: Aprendeu a perambular, saltitar, andar na ponta dos pés, pelo imaginário masculino. Descalça, com os pés retraidos sobre o mármore frio. Claro que ela deve ter pés lindos.

Que decepção, leitor.
Que decepção nada. Assumo minha irracionalidade. Meus gens possuem herança genética do homem-das-cavernas que existe dentro de cada um de nós. A mesma que vem à tona quando você toma uma fechada no trânsito, quando furam a fila na tua frente. Quando pisam no teu pé ou você leva um esbarrão desproposital na rua e nem olham para você.
Gosto sim de mulheres de peruca colorida, chanel, de meias acima do joelho, gosto da Shakira (quase que como um grito de liberdade)!

Em meio a tantas coisas ruins que nos acontecem diariamente, outras tantas boas, o resto sendo rotina, manutenção, exercer o meu auto-conhecimento, como pregam livros e especialistas, se não me ajudar, espero que ao menos não me atrapalhe.
Confesso, me diverti com o texto.

Tai, gostei. E você?

dimanche 7 octobre 2007

Tostines vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais?

O clipe à seguir, que mostrava os conflitos sociais do Rio, é até hoje o maior ganhador de prêmios em uma mesma edição do VMB, MTV Brasil: Escolha da Audiência, Clipe do Ano, Clipe Rock, Direção, Fotografia e Edição. Detalhe: esta premiação deu-se no ano de 2000 tendo sido o clipe produzido no final dos anos 90.

Sempre que o assisto (gosto muito da música), o que mais me chama atenção é sua contemporaneidade: poderia estar sendo lançado no momento desta postagem! Exceção aos atores que ainda eram pequenos quando da gravação e hoje cresceram (alguns até tornaram-se conhecidos pela midia, como Jonathan Haagensen, hoje ator de novelas da Globo), nada mudou. Nem na cidade nem no pais. Verdade que temos hoje várias obras sobre o tema: livros, filmes, campanhas, ONGs. Filmes e mini-séries na linha de Cidade dos Homens ou até o hit do momento, o badalado Tropa de Elite (versão para o cinema de A Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Baptista e Rodrigo Pimentel), são fotografias animadas do momento que atravessa nossa sociedade.

A pergunta que não quer calar é, quem lucra com a manutenção da desigualdade e do caos social que vivemos?
Desculpem-me a prentensão mas, tenho pergunta diferente, ou ao menos, feita sobre outro ângulo:
- Quem NÃO lucra com a situação atual?

Penso que todos lucramos: Os vilões (os reais, os pretensos e os ainda anônimos) e também uma grande massa de expectadores ávidos por um novo fato que substitua o anterior, sempre tecnogicamente embalados e entregues em suas casas através de um poderoso delivery, impessoal e simpaticamente chamado de Meios de Comunicação.

Podemos botar a culpa no Governo, é verdade (e fácil, devido a quantidade de motivos diários que ele nos dá), criticar todo mundo, até levantar a Constituição como nosso estandarte, salvo-conduto e álibi, mas...será que somos todos tão inocentes e impotentes assim? Não sei, deixo apenas a reflexão. Fui hoje ao Rio. Adoro minha cidade e vivo este contexto. Talvez seja por isso. Não sei.

Com voces, O Rappa: Minha Alma!

jeudi 4 octobre 2007

Terceira Lei de Newton

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.
-
(A toda ação há sempre oposta uma reação igual, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.)

Sir Isaac Newton sabia das coisas!

dimanche 30 septembre 2007

Sexta-feira, I love you!

Hoje é sexta-feira (na verdade, estou postando o texto no domingo, mas a idéia do tema, assim como seu conteúdo, surgiram na sexta, quando o sentimento que narro à seguir tomou conta de mim. Uma "possessão" semanal, que tem hora e dia marcado para acontecer)!

Dizem que o melhor amigo do homem é o cão. Que ele se doa sem esperar nada em troca. Dedica-se em sua totalidade de sentimentos. Não há tempo ruim. Frio, calor, queda da bolsa, TPM, bala perdida, corrupção, final da novela das oito com revelação do assassino, nada, nada pode diminuir o afeto, o olhar com que o cão-parceiro entrega-se ao seu dono (destaco que, em alguns casos, o limite entre senhor e servo é muito tênue entre ambos).

Mas, vamos a minha comparação: é verdade que o cão é isto tudo sim, só que o cão tem começo, meio e fim. Um dia ele parte para o céu dos cães, um lugar mágico cheio de ossos suculentos, e aquele amor, as juras eternas de seu dono (enquanto durasse, bien sûr!), serão repassadas a outro, talvez de outra raça, cor, pedigrée.


Sexta-feira não. Ela é eterna. Ela teima em te perseguir. Você está triste? Ela vem! Você está feliz? Ela vem também. Ela te brinda com novos tempos. Não há sensação melhor que aquela das 18hs. Para muitos, a sensação do dever cumprido. Para outros, pendências com expectativas reabastecidas. Quem ainda não se pegou embriagado na visão de algo que pode acontecer naquele gap de 2 dias que estão chegando?
Problemas financeiros? Pode chegar uma herança.
Sentimentais? Pode aparecer o grande amor de sua vida na festa do sábado, ou, quem sabe, ela volte. Ou quem sabe, você volte.
Tem prova na segunda? Ah, um século de dias para estudar. Segunda-feira você saberá tudo. Vais tirar um 10 com certeza.
Regime? Coma de tudo. Segunda vem ai. Para quem já come a anos e anos, 2 dias a mais, que mal fará? Segunda você (re)começa.

Assim acontece comigo. Sexta à noite! Minha amiga que renova minhas esperanças. Minha droga. Meu vício.
Se sexta é a bebida, domingo à noite é a ressaca. Certeza que (quase) tudo que planejei não aconteceu. Não ocorreram surpresas, a loira escultural rica e totalmente apaixonada não apareceu, não estudei nada, não cumpriu-se o planejado. O cronograma tá atrasado. Objetivos inacessíveis. Falta de rigidez, de comprometimento com o método talvez.

Mas, não há problema. Por que haveria? Dentro de alguns dias, sabe quem estará voltando? Pois é...ela, a teimosa e replicante sexta-feira. A amiga fiel. A companheira sempre disposta a te dar uma nova chance, mesmo que você não queira.

Assim me sinto hoje, sexta-feira: feliz! Certeza que ocorrerão mil coisas em minha vida. Meu weekend terá 97 horas, certamente. Farei tudo o que planejei. No sábado irei a 3 festas, assistirei 2 filmes novos. Vou levar o carro para dar aquela geral prometida. Vou na lavanderia. Vou organizar meus documentos, lerei 3 livros e ainda me sobrará tempo para encontrar o amor de minha vida. Talvez até passe o final de semana na serra, claro, indo a praia todos os dias. Vai fazer um sol maravilhoso.

O nome deste sol é esperança, aquela mesma lá do fundo da caixa de Pandora.
O combustível que move nossos corações.

Boa sexta para ti, bom final de semana. Enjoy it!

mercredi 26 septembre 2007

2047

Madrugada, sozinho em meus pensamentos.
A certeza que estou vivendo a última noite de minha vida.
Cansaço da caminhada se misturando à sensação de alívio, tranquilidade. Leveza,
sorriso disfarçado (uma última censura).
Eu vivi! Criei um castelo à partir de meus sonhos. Estou em 26 de setembro de 2047. Lembro bem de 40 anos atrás, quando pensei em minha vida, de como seriam meus próximos 40 anos: Deus, família, profissão, hobbies. Foi em 2007. Mensurei a primeira metade de minha vida. Grandes realizações, grandes decepções. Minha vida estava legal. Derrotas, vitórias, obstáculos transponíveis, certamente com um pouco de suor e persistência.
Mas, e o prazer?
Parei para pensar o que faltava, para onde estava caminhando.
Ah, parapente! Voar de parapente! Decididamente, quero voar!
Viagens internacionais também. Não por trabalho, mas por férias (o prazer, lembra?)
Preciso de vacaciones, lua-de-mel em Paris.
Preciso de uma noiva para isto (olhar pensativo). Isto pode ser um problema, claro!
Outra coisa, preciso deixar de ser um chato exigente. Libriano com ascendente em virgem ninguém agüenta, nem o próprio.
Trabalho: a tecnologia escorre entre meus dedos. O que me motiva agora são as pessoas, menthoring, coaching, todos os ings ligados ao ser. A tecnologia deve ser o meio, não o fim. Melhor não escrever nada mais que possa ser usado contra mim em juizo, penso.
Ahh, mas volto ao parapente! Quem sabe até, para-quedas! Gosto de sair do chão. Estou boa parte do tempo no ar.
Hoje é minha última noite.
Saudades de 2007.
O ano em que voei.


mardi 25 septembre 2007

Impaciente...

Sabe quando a impaciência toma conta de nós?
Não é tédio como dito na canção: é impaciência mesmo. Alias, filosofando, acho que a impaciência é o tédio que resolveu ir à luta mas não sabe como nem para que lado marchar.
Um sem motivo que insiste em nos acompanhar, tal qual uma sombra perambulando ao nosso redor.
A impaciência é interna, muitas vezes sem causa aparente: nada de pessoas, nada de atitudes (in)esperadas, nada de nada. Somente um vazio que toma forma e nos empurra a esperar algo que não vem. Não existe. Nem sequer foi concebido em nossa imaginação. Nem um rascunhozinho. Um borrão. Nada. A impaciência é a busca pela solução de um problema que sequer foi escrito. É uma armadilha. Ela nos deixa chato. As pessoas te perguntam o que há e você não sabe descrever. Quer coisa mais irritante que esta? Você sai do compasso do grupo que te cerca. Hiberna em seus pensamentos, culpa os outros por não te compreender.
Hoje estou assim, impaciente.
Expectativa por algo que não tem foco.
Até qualquer hora....

lundi 24 septembre 2007

Tic-tac, perfumes e pensamentos soltos...

Atravessando a rua, tenho os sentidos ligados em tudo que gira ao meu redor:
as pessoas que vêm e vão, o barulho, os sons de buzina, cheiros que se misturam no ar, o perfume de uma moça que cruza rapidamente por mim olhando para o chão (o que estaria ela pensando naquele momento?), o vento frio da manhã que bate em meu rosto, o tic-tac do tempo em minha mente, tudo misturando-se ao que planejei fazer.
Tento passar rapidamente tudo o que farei (farei mesmo?).
Esbarro em um senhor carrancudo e apressado: esperança de desculpas que não virão. O mundo está assim mesmo, fazer o quê, penso comigo mesmo.
Li uma vêz que o maior inimigo do homem é o tempo, que ele tornou-se refêm do relógio: deu-se ao trabalho de repartir pedacinho a pedacinho o seu tempo. Um suicídio social coletivo que todos nós teimamos em cometer. Saltamos de cabeça neste precipício, dia após dia. Morremos e ressucitamos há cada manhã, não importa se chova ou faça sol.
Releio o que acabei de escrever. Engraçado, não parece ser um texto apropriado ao début de um blog. Parece mais escrito por uma mente perturbada por algo. Algumas pistas "lá atrás". Teria sido a moça que cruzou o caminho? Teria sido o tempo, as emoções, os sentidos? Não sei. Não sei. A única pista é que falo muito em tempo. Será que ele me incomoda tanto assim? Não sei, não sei.
O que há de mais fantástico em escrever indulgentemente é a certeza que o caminho que você trilha é completamente diferente daquele croqui montado em seu cérebro. Por mais que você planeje a caminhada, ela é sempre diferente, seu caminho é diferente e, pior (ou melhor): o destino idem.
Se eu der um ctrl+alt+del neste momento e tentar reescrever este texto, certamente ele será diferente. Certamente o barco vai me levar para outra ilha, outra praia. O vento nunca é o mesmo, nunca tem a mesma força e sentido, assim como você nunca entra duas vezes em um mesmo rio.
Assim é a vida, assim é você, assim sou eu. Invariavelmente imprevisíveis. É da natureza humana. Somos livres como o vento. Livres como o perfume daquela menina que deixou-se exalar.
Sempre que iniciamos uma conversa, um projeto, um caminho, nunca sabemos exatamente onde será o destino final. Em qual estação o trem de nossa vida ancora? Quem ancora é barco, sei, mas sou livre para compor meu texto. Talvez possa acusar como sendo um ato-falho, uma licença poética ou (mais abominável de todas as hipóteses), uma estratégia de marketing: "o cara usou o verbo errado de propósito!". Já pensou? Pode ser simplesmente uma vontade de fazer diferente nesta manhã. Tão diferente que procurei escrever meus sentimentos soltos em um blog e liberá-lo para o mundo exterior, ao invés de jogá-lo na lixeira do meu pensamento, esperando o dia da faxina.
Bem-vindo leitor. Pode entrar. A casa é nossa.