Atravessando a rua, tenho os sentidos ligados em tudo que gira ao meu redor:
as pessoas que vêm e vão, o barulho, os sons de buzina, cheiros que se misturam no ar, o perfume de uma moça que cruza rapidamente por mim olhando para o chão (o que estaria ela pensando naquele momento?), o vento frio da manhã que bate em meu rosto, o tic-tac do tempo em minha mente, tudo misturando-se ao que planejei fazer.
Tento passar rapidamente tudo o que farei (farei mesmo?).
Esbarro em um senhor carrancudo e apressado: esperança de desculpas que não virão. O mundo está assim mesmo, fazer o quê, penso comigo mesmo.
Li uma vêz que o maior inimigo do homem é o tempo, que ele tornou-se refêm do relógio: deu-se ao trabalho de repartir pedacinho a pedacinho o seu tempo. Um suicídio social coletivo que todos nós teimamos em cometer. Saltamos de cabeça neste precipício, dia após dia. Morremos e ressucitamos há cada manhã, não importa se chova ou faça sol.
Releio o que acabei de escrever. Engraçado, não parece ser um texto apropriado ao début de um blog. Parece mais escrito por uma mente perturbada por algo. Algumas pistas "lá atrás". Teria sido a moça que cruzou o caminho? Teria sido o tempo, as emoções, os sentidos? Não sei. Não sei. A única pista é que falo muito em tempo. Será que ele me incomoda tanto assim? Não sei, não sei.
O que há de mais fantástico em escrever indulgentemente é a certeza que o caminho que você trilha é completamente diferente daquele croqui montado em seu cérebro. Por mais que você planeje a caminhada, ela é sempre diferente, seu caminho é diferente e, pior (ou melhor): o destino idem.
Se eu der um ctrl+alt+del neste momento e tentar reescrever este texto, certamente ele será diferente. Certamente o barco vai me levar para outra ilha, outra praia. O vento nunca é o mesmo, nunca tem a mesma força e sentido, assim como você nunca entra duas vezes em um mesmo rio.
Assim é a vida, assim é você, assim sou eu. Invariavelmente imprevisíveis. É da natureza humana. Somos livres como o vento. Livres como o perfume daquela menina que deixou-se exalar.
Sempre que iniciamos uma conversa, um projeto, um caminho, nunca sabemos exatamente onde será o destino final. Em qual estação o trem de nossa vida ancora? Quem ancora é barco, sei, mas sou livre para compor meu texto. Talvez possa acusar como sendo um ato-falho, uma licença poética ou (mais abominável de todas as hipóteses), uma estratégia de marketing: "o cara usou o verbo errado de propósito!". Já pensou? Pode ser simplesmente uma vontade de fazer diferente nesta manhã. Tão diferente que procurei escrever meus sentimentos soltos em um blog e liberá-lo para o mundo exterior, ao invés de jogá-lo na lixeira do meu pensamento, esperando o dia da faxina.
Bem-vindo leitor. Pode entrar. A casa é nossa.
lundi 24 septembre 2007
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1 commentaire:
Registro de um tempo, no tempo de alguém.
Tempo que não é vida, mas que se renova
Tempo que modifica, e nem sempre é glória
Mas é o tempo, o tempo de alguém,
Que de certo, buscou o errado
E da incerteza, fez o seu legado
De volta ao tempo, que é um registro infinito..
Traça teias... imaginárias
Permite escolher um caminho sem tempo
Mas com o tempo certo de voltar.
No final.. vc se pergunta.. é o tempo que nos conduz.. ou conduzimos o tempo?
Uma viagem colorida recheadas de sensações..
Escrever.. é a melhor forma.. de deixar o tempo registrado, no tempo de alguém.
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